Se gere um alojamento independente em Portugal — seja uma guesthouse no Alentejo, um turismo rural no Douro ou um boutique hotel em Lisboa — provavelmente sabe o que significa ver 15% a 25% de cada reserva a ir para a Booking ou Airbnb.
Essas plataformas trouxeram visibilidade, mas também criaram uma dependência que, a médio prazo, reduz a margem e tira controlo sobre a relação com o hóspede.
Este artigo mostra como reduzir essa dependência de forma prática.
O verdadeiro custo de depender de OTAs
Antes de pensar em soluções, é útil perceber o que realmente se perde:
- Comissão direta: 15% a 25% por reserva na maioria dos casos
- Falta de dados: O hóspede é da Booking, não do alojamento — não fica no CRM, não recebe emails, não volta diretamente
- Controlo limitado: A plataforma controla a visibilidade, as regras de cancelamento e até a forma como o alojamento aparece
- Concorrência inflacionada: Na mesma página, o hóspede vê 50 alternativas com preços semelhantes
Se 80% das reservas vêm de OTAs, o alojamento está a pagar entre 12% e 20% da faturação só em comissões.
5 estratégias para aumentar reservas diretas
1. Ter um website próprio que transmita confiança
Este é o passo mais importante. Quando o hóspede pesquisa o nome do vosso alojamento no Google, precisa de encontrar um website que:
- Pareça profissional e atualizado
- Tenha fotos organizadas por quarto e espaço
- Mostre argumentos claros para reservar diretamente
- Tenha um botão de reserva visível em todas as páginas
- Funcione bem no telemóvel
Se o website oficial inspira menos confiança que a página na Booking, o hóspede volta à plataforma para concluir a reserva.
2. Oferecer vantagem direta ao hóspede
Não basta ter um website. É preciso dar um motivo concreto para reservar diretamente:
- Melhor preço garantido (mesmo que seja 5% menos)
- Oferta de boas-vindas (uma garrafa de vinho, late checkout, upgrade quando disponível)
- Condições de cancelamento mais flexíveis
- Comunicação direta com a equipa do alojamento
A vantagem não precisa de ser grande, mas precisa de ser clara e visível.
3. Investir em SEO local
A maioria dos alojamentos não aparece no Google quando alguém pesquisa por "turismo rural Alentejo" ou "guesthouse Porto centro". Isso é uma oportunidade enorme.
Com um website bem otimizado, é possível aparecer nas pesquisas orgânicas do Google e receber tráfego gratuito de forma contínua. Isso reduz a dependência das OTAs como canal de descoberta.
4. Usar o Google Business Profile
O perfil no Google Maps é gratuito e tem um impacto enorme na visibilidade local. Garanta que:
- As fotos estão atualizadas
- A descrição está completa
- O link vai para o website próprio (não para a Booking)
- As avaliações têm resposta
5. Manter uma lista de email ativa
Cada hóspede que reserva diretamente pode entrar numa lista de email. Isso permite:
- Enviar ofertas de época baixa
- Sugerir experiências e upgrades
- Pedir avaliações no Google
- Fomentar reservas repetidas
É um canal com custo zero e retorno elevado a médio prazo.
Por onde começar
Se hoje o alojamento depende maioritariamente de OTAs, o caminho mais rápido é:
- Avaliar o website atual — transmite confiança? Tem CTA de reserva direta?
- Criar uma landing page de reserva direta — focada em conversão, com argumentos e formulário
- Configurar Google Business Profile — link para o website, fotos e avaliações
- Definir uma vantagem para quem reserva diretamente — preço, experiência ou flexibilidade
O objetivo não é abandonar as OTAs. É equilibrar os canais e recuperar a margem que está a perder.
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